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Padronização

Redação em braille de textos em português tem novas normas

  • Segunda-feira, 17 de dezembro de 2018, 18h56
  • Última atualização em Sexta-feira, 28 de dezembro de 2018, 09h10

Cerca de 83 mil estudantes com deficiência visual de todo o país serão beneficiados pelas novas normas de redação em braille, que já estão em vigor. As alterações promovidas pelo Ministério da Educação, que constam da terceira edição da Grafia Braille para a Língua Portuguesa e da terceira edição das Normas Técnicas para a Produção de Textos em Braille, basearam-se, principalmente, no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990 e em vigor no Brasil desde 2016, visando a garantia da padronização dos textos produzidos em todo o país.

Os dois documentos que estabelecem as novas normas estão disponíveis no Portal do MEC e podem ser acessados. O material, apresentado pelo MEC nesta segunda-feira, 17, em Brasília, foi produzido pela Comissão Brasileira do Braille (CBB) em cerca de um ano de trabalho. A prática é indispensável para que todos os estudantes cegos ou com baixa visão possam usufruir dos livros em braille como importante instrumento para o seu desenvolvimento.

A Grafia Braille para a Língua Portuguesa é um documento normatizador e de consulta, destinado, especialmente, aos usuários do sistema braille, professores, transcritores e revisores. Já a publicação da terceira edição das Normas Técnicas para a Produção de Textos em Braille tem como objetivo a definição e qualificação das diferentes etapas da produção de um livro em braille. O material apresenta informações de grande importância para embasar o trabalho de transcrição realizado pelos profissionais e auxiliar na qualidade da produção de livros em braille.

“O trabalho apresentado é a soma de muitos esforços para que quase 83 mil alunos possam ter uma educação com maior qualidade dentro de uma padronização que a nova norma técnica está requerendo”, destaca o secretário de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão do MEC, Júlio César Meireles.

De acordo com o Censo Escolar, foram matriculados 82.630 estudantes com deficiência visual nas redes de ensino, em 2017.

 “A importância desses referenciais em braille se deve à necessidade de padronização do sistema braille adotado no Brasil, o correto uso da simbologia braille e da sua aplicação. O que possibilita, de fato, livros com qualidade para pessoas cegas que utilizam a grafia braille”, enfatiza a diretora de políticas de educação especial do MEC, Patrícia Raposo.

Tânia Regina Martins Resende, representante da Região Sudeste na Comissão Brasileira do Braille, explica: “Vou dar um exemplo: a hashtag, que todo mundo fala. Hoje temos um símbolo em braille que significa hashtag, que antes não existia. São símbolos que a língua vai produzindo e que o braille precisa ter também. A língua é viva.”

Ela lembra que, justamente por a língua portuguesa sofrer constantes mudanças, a necessidade de revisão da grafia braille é constante e que, dentro de alguns anos, o trabalho precisará ser retomado.

Braille – Para ler e escrever, as pessoas cegas dispõem do sistema de pontos em relevo mais utilizado em todo o mundo, que é o sistema braille. Ele foi desenvolvido pelo francês Louis Braille e a versão mais conhecida data de 1837. No Brasil, o sistema braille foi oficialmente adotado em 1854, junto à criação do Imperial Instituto de Meninos Cegos, atualmente Instituto Benjamin Constant.

Em 1999, o MEC criou a Comissão Brasileira do Braille (CBB), com o papel de adotar uma política de diretrizes e normas para o uso, o ensino, a produção e a difusão do Sistema Braille em todas as modalidades de aplicação. Em 2017, foi concluído o trabalho de atualização da Grafia Química Braille para Uso no Brasil.

Conheça a Grafia Braille para a Língua Portuguesa - Formato pdf

Confira as Normas Técnicas para a Produção de Textos em Braille - Formato pdf

Assessoria de Comunicação Social

Assunto(s): MEC , cegos , braille , grafia , deficiente visual
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